No fim de setembro, a NielsenIQ cruzou uma linha: 51% dos consumidores dos EUA usaram ao menos uma ferramenta de IA para comprar no último mês. É a primeira vez que o número passa da metade [1].
E não é só pesquisa. A Amazon informou que mais de 350 milhões de clientes usaram o Alexa for Shopping, o agente que substituiu o Rufus, nos últimos 12 meses, com interações cinco vezes maiores que há um ano [2]. Ele já compra sozinho quando o produto chega ao preço que o cliente definiu [3]. No Walmart, quem compra com o Sparky gasta 40% mais por pedido do que quem não usa [4].
O Brasil vem logo atrás. Um relatório do BTG Pactual com dados da Similarweb mostra que o Mercado Livre é o site que mais recebe tráfego vindo de IA no ecommerce brasileiro, e que esse tráfego cresceu cerca de 374% em 2025 [5]. O próprio Mercado Livre já testa um assistente de compras com IA [6].
Na minha visão, esses números juntos ainda estão sendo lidos pequenos demais. Não é que apareceu mais um canal. É que, entre o seu produto e a pessoa que vai comprar, entraram filtros novos. Hoje são quatro.
Quatro filtros entre o seu produto e o comprador
- •Assistentes de IA. ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity. Quando alguém pergunta qual produto comprar, eles montam um card com o que encontram sobre você: título, preço, atributos, avaliações, loja. Se o dado não está lá, o card sai sem ele. Ou sai com o concorrente.
- •Agentes dos marketplaces. O Alexa for Shopping na Amazon e o assistente em teste no Mercado Livre. É o filtro mais maduro: tem carrinho, histórico, frete e, na Amazon, já compra sem o cliente clicar [3]. Ele lê o que está no anúncio. Só o que está no anúncio.
- •Agentes pessoais. Assistentes de uso geral que navegam sites, comparam e começam a fechar a compra em nome do consumidor. Em setembro, a Meta lançou nos EUA o Muse, um agente que abre o navegador, preenche formulários e finaliza a compra, e que conversa pelo próprio app ou direto no WhatsApp [12]. A Amazon já faz algo parecido em sites de terceiros com o Buy for Me [3], e o Google lançou o UCP, um protocolo aberto para agentes comprarem em qualquer loja [7]. É a camada menos madura, mas a que mais muda a relação do consumidor com a compra: ele delega a tarefa inteira.
- •A busca e o assistente do seu próprio site. Busca com LLM, recomendação, atendimento que vende. Lê o seu catálogo direto da fonte, com todos os defeitos que ele tiver.
| Filtro | Onde decide | O que lê do seu catálogo |
|---|---|---|
| Assistentes de IA | Na resposta, antes de qualquer loja | Feed, página do produto, ficha técnica, avaliações, coerência entre fontes |
| Agentes dos marketplaces | Dentro do Mercado Livre e da Amazon | Atributos do anúncio, título, imagens, perguntas, regras do canal |
| Agentes pessoais | No site onde a compra fecha | Página legível por máquina, preço, estoque, condições de compra |
| Site próprio | Na sua loja | Atributos ricos para busca semântica e recomendação |
Quatro filtros, com donos e níveis de maturidade diferentes. O que eles têm em comum é o que importa.
Nenhum deles se impressiona com foto bonita
No primeiro texto que escrevi aqui no blog, defendi que o agentic commerce muda a lógica de elegibilidade do ecommerce [8]. Quando uma pessoa entra no seu anúncio, você ainda pode persuadir. Quando um agente avalia o seu produto, você primeiro precisa ser compreendido.
Os quatro filtros funcionam assim. Eles leem atributo, ficha técnica, título, imagem e coerência entre canais. Um campo vazio já é motivo para pular. Uma medida que diz uma coisa na Amazon e outra no seu site é motivo para desconfiar.
| O que convence uma pessoa | O que um agente lê |
|---|---|
| Foto bonita | Imagem coerente com a ficha técnica |
| Copy criativa | Atributos preenchidos e padronizados |
| Título chamativo | Título que responde ao que o comprador perguntou |
| Página bem montada | O mesmo dado em todos os canais |
| Promoção em destaque | Preço, estoque e condição legíveis por máquina |
Pense no que acontece quando a ficha técnica do anúncio diz bivolt e o site da marca diz 127V. O agente tem dois caminhos. Pode desconfiar e recomendar o concorrente. Ou pode recomendar e entregar ao cliente uma informação diferente da prometida. No primeiro caso, você some da resposta. No segundo, ganha uma devolução.
Nos dois casos, o problema não é de mídia. Não é de ranking. É de consistência.
É exatamente o que vemos na GLOBALD. Nos mais de 500 mil SKUs que o nosso agente de compliance já analisou, os erros que mais aparecem não são de persuasão. São de consistência: medida que diverge entre imagem e texto, cor que não bate, nome de produto que muda de um lugar para outro, erro de idioma, violação de regra do canal.
Nenhum desses problemas tira a sua marca da conversa. Todos eles podem tirar o seu produto da compra.
O filtro mais forte está dentro do marketplace
Tem uma leitura comum de que a IA vai tirar a busca do marketplace. Eu acho que não é bem isso.
Eu entro no Mercado Livre para pesquisar produto. Não no Google, não no ChatGPT. Nos Estados Unidos, 57% dos consumidores começam a busca por produto na Amazon, contra 42% em buscadores [9]. O tráfego de IA que chega ao Mercado Livre cresce rápido, mas ainda é uma fração pequena das cerca de 240 milhões de visitas que o site recebe por mês [10]. O próprio BTG avalia que, no curto prazo, a IA soma para os marketplaces, porque manda para eles compradores com intenção alta [5].
O que muda não é onde o cliente pesquisa. É o que responde à pesquisa. Em vez de uma página de resultados ordenada por ranking, um agente que lê o anúncio, compara atributos e escolhe. A Amazon já faz isso com 350 milhões de clientes. O Mercado Livre está testando, e na MELI Experience, em setembro, o COO Daniel Rabinovich falou de agentes assumindo as compras rotineiras do consumidor [11].
Para quem vende, isso significa que o produto passa a ser filtrado duas vezes. Pelo agente de fora, que decide se você entra na resposta. E pelo agente de dentro, que decide entre os anúncios que sobraram. Os dois leem a mesma coisa.
A parte boa: a base é a mesma para os quatro
O que os quatro filtros exigem na base é igual: atributos completos, corretos e coerentes entre si. Esse trabalho se faz uma vez, na fonte.
A saída, não. Cada filtro lê o produto no seu próprio formato. A Amazon tem schema de atributos e regras de título próprios. O Mercado Livre tem a ficha técnica de cada categoria, com campos e nomes diferentes. Os assistentes de IA leem feed e dados estruturados na página. O UCP tem o seu padrão. O seu site tem o schema dele. O mesmo produto precisa ser traduzido para cada um.
A diferença entre ter e não ter a base está no que acontece nessa tradução. Sem a base, cada canal vira uma reescrita, e cada reescrita carrega um erro diferente. É assim que a voltagem muda entre a Amazon e o site. Com a base, a tradução vira mapeamento: um atributo corrigido na origem sai certo no card do ChatGPT, no anúncio do Mercado Livre, na compra do agente pessoal e na busca do seu site.
Isso não quer dizer que seja pouco trabalho. Arrumar algumas dezenas de produtos é simples. Manter milhares de SKUs consistentes, em mais de um idioma, traduzidos para canais com regras diferentes e atualizados toda semana, não é. É por isso que essa camada raramente se resolve com planilha e boa vontade. Ela precisa virar infraestrutura: uma fonte de verdade e várias saídas, cada uma no formato do canal.
O catálogo, que por muito tempo foi tratado como backoffice, virou a interface entre o seu produto e os agentes que decidem por ele.
Por onde começar antes da Black Friday 2026
Faltam menos de oito semanas para a Black Friday. Dá tempo de fazer o essencial:
- •Pergunte aos agentes antes do seu cliente. ChatGPT, Gemini e, se você vende na Amazon dos EUA, o Alexa for Shopping. Faça as perguntas que um comprador da sua categoria faria, com necessidade e faixa de preço reais. Veja se o seu produto entra, com quais informações e para qual link.
- •Compare o que o agente diz com o que o anúncio diz. Cada divergência de medida, voltagem, cor ou compatibilidade é uma venda perdida ou uma devolução esperando para acontecer.
- •Tenha uma fonte de verdade fora do marketplace. O anúncio não pode ser o único lugar onde o seu produto está bem descrito. O mesmo dado precisa alimentar Mercado Livre, Amazon, o site próprio e os feeds que as IAs leem.
- •Escreva atributos que respondem perguntas. O agente decide com o que o comprador perguntou. Se ele quer saber a autonomia da bateria e o seu anúncio não informa, você não entra na conversa.
- •Comece pelo que mais fatura. Não dá para arrumar tudo até novembro. Dá para arrumar o que mais pesa.
O catálogo que os agentes vão ler
Durante anos, a pergunta de quem vende foi: minha página converte bem?
Ela continua válida. Mas, com quatro agentes no meio do caminho, a primeira pergunta passou a ser outra:
Quando um agente, dentro ou fora do marketplace, tentar vender o meu produto, ele vai encontrar o que precisa para escolher ele?
Se a resposta for não, nenhum investimento em mídia ou em ranking resolve. O agente já escolheu outro.
Na GLOBALD, é exatamente esse tipo de problema que nos interessa resolver: fazer o produto ser compreendido por todos os agentes que decidem por ele. A gente audita o catálogo, encontra os erros de compliance, atributo, texto e imagem que tiram o produto das respostas, corrige e distribui os dados, no formato de cada canal, para marketplaces, site próprio, LLMs e protocolos de agentes como o UCP.
A Black Friday cai em 27 de novembro. O catálogo que os agentes vão ler naquele dia é o que estiver no ar nas próximas semanas.
Referências
- Majority of U.S. Consumers Now Use AI to Shop, NIQ Finds, NielsenIQ (24/09/2026)
- Q2 earnings: CEO Andy Jassy on Amazon Stores growth, delivery speed, and AI shopping, About Amazon (31/07/2026)
- Amazon's next-gen AI assistant for shopping, About Amazon
- Walmart says its AI assistant, Sparky, is leading to customers spending 40% more, Yahoo Finance
- IA redefine compras no e-commerce, Guia da Farmácia, sobre o relatório do BTG Pactual de 22/09/2026
- Agentes de IA ganham espaço e acirram disputa pelo controle das compras online, Ipiracity, sobre o relatório do BTG Pactual de 22/09/2026
- New tech and tools for retailers to succeed in an agentic shopping era, Google (lançamento do UCP, 11/01/2026)
- O ecommerce não está só ganhando um novo canal. Está ganhando um novo comprador., Pedro Trevisan, GLOBALD
- Most US online shoppers start product searches on Amazon, eMarketer, com dados da Jungle Scout (2023)
- Visitas em e-commerces caem 18% nos últimos 12 meses, Times Brasil, com dados da Similarweb (05/08/2025)
- Mercado Libre ya prueba agentes de IA que compran por vos, iProUP (10/09/2026)
- Introducing Muse: The World's First Personal AI Agent Built for Everyone, Meta (08/09/2026)
Perguntas Frequentes
Perguntas comuns sobre agentic commerce, otimização de dados de produtos e estruturação de catálogos para agentes de IA.
O que é agentic commerce?
Agentic commerce é o modelo de comércio digital em que agentes de IA autônomos pesquisam, comparam e, cada vez mais, compram produtos em nome dos consumidores. Em vez de navegar por páginas e resultados de busca, o agente lê dados de produto, como atributos, preço, disponibilidade e avaliações, e decide com base neles.
Quais são os quatro filtros pelos quais um produto passa antes de chegar ao consumidor?
São quatro tipos de agente: (1) assistentes de IA, como ChatGPT, Gemini e Claude, que montam o card do produto com o que encontram sobre a marca; (2) agentes dos marketplaces, como o Alexa for Shopping na Amazon e o assistente em teste no Mercado Livre; (3) agentes pessoais, como o Muse da Meta, que navegam, comparam e começam a comprar em nome do consumidor; e (4) a busca e o assistente do próprio site da marca. Todos decidem a partir do dado do catálogo, não de foto ou copy.
Quantos consumidores já usam IA para fazer compras?
Nos Estados Unidos, 51% dos consumidores usaram ao menos uma ferramenta de IA para apoiar compras no último mês, segundo a NielsenIQ (setembro de 2026). É a primeira vez que o índice passa da metade. A Amazon reporta mais de 350 milhões de clientes usando o Alexa for Shopping em 12 meses, e o Walmart diz que quem compra com o Sparky gasta 40% mais por pedido.
O que é o Alexa for Shopping da Amazon?
Alexa for Shopping é o assistente de compras com IA da Amazon, nome que o Rufus recebeu em maio de 2026. Ele busca produtos por conversa, compara opções, mostra histórico de preço e compra automaticamente quando um produto atinge o preço-alvo definido pelo cliente. Segundo a Amazon, mais de 350 milhões de clientes o usaram nos 12 meses até julho de 2026, com interações mais de cinco vezes maiores em um ano.
O Mercado Livre vai ter um agente de compras com IA?
O Mercado Livre sinalizou que sim. Segundo o BTG Pactual, a empresa já testa um assistente de compras com IA com parte dos usuários. Na MELI Experience 2026, em setembro, o COO Daniel Rabinovich falou de agentes de IA assumindo as compras rotineiras do consumidor. Para quem vende no Mercado Livre, isso significa que o anúncio passa a ser lido por um agente, não só ranqueado por uma busca.
Qual site recebe mais tráfego vindo de IA no ecommerce brasileiro?
O Mercado Livre, segundo relatório do BTG Pactual com dados da Similarweb, à frente de OLX, Amazon Brasil, Shopee e Magazine Luiza. As referências de IA para o ecommerce brasileiro cresceram cerca de 374% em 2025, e esse tráfego chega com intenção de compra mais alta que o convencional. Ainda é uma fração pequena das cerca de 240 milhões de visitas mensais do site, mas cresce rápido.
A IA vai tirar a busca de produtos do marketplace?
Não no curto prazo. Nos Estados Unidos, 57% dos consumidores começam a busca por produto na Amazon, e no Brasil o Mercado Livre cumpre esse papel. O BTG Pactual avalia que a IA hoje soma para os marketplaces, porque envia a eles compradores com intenção alta. O que muda é o que responde à busca: em vez de uma página de resultados por ranking, um agente que lê o anúncio, compara atributos e escolhe.
Por que foto bonita e copy criativa não bastam para agentes de IA?
Porque agentes não se impressionam com persuasão visual. Eles leem atributo, ficha técnica, título, imagem e coerência entre canais. Um campo vazio ou uma medida que diverge entre Amazon e site próprio dá ao agente um motivo para recomendar o concorrente ou gera devolução. Nos mais de 500 mil SKUs analisados pela GLOBALD, os erros mais comuns são de consistência: medidas e cores divergentes entre imagem e texto, nomes inconsistentes, erros de idioma e violações de regras de canal.
O trabalho de estruturar o catálogo é o mesmo para todos os canais?
A base, sim. Atributos completos, corretos e coerentes servem aos quatro filtros: assistentes de IA, agentes dos marketplaces, agentes pessoais e o site próprio. A saída, não. Cada canal lê o produto no próprio formato, com schema, campos e regras diferentes: atributos e títulos da Amazon, ficha técnica por categoria do Mercado Livre, feeds e dados estruturados para os assistentes de IA, o padrão do UCP, o schema do site. Com a base feita, essa adaptação vira um mapeamento a partir de uma fonte única. Sem a base, vira uma reescrita por canal, e cada reescrita carrega um erro diferente.
O que fazer no catálogo antes da Black Friday 2026?
Com a Black Friday em 27 de novembro de 2026, as prioridades são: perguntar aos agentes (ChatGPT, Gemini, Alexa for Shopping) pelos produtos da sua categoria; comparar o que o agente diz com o que o anúncio mostra; manter uma fonte única de dados fora do marketplace; preencher atributos que respondem às perguntas reais dos compradores; e começar pelas categorias de maior faturamento. O catálogo que os agentes vão ler na Black Friday é o que estiver no ar nas semanas anteriores.
Como a GLOBALD ajuda marcas no agentic commerce?
A GLOBALD é uma infraestrutura de dados de catálogo com IA que funciona como sistema de registro e sistema de ação para o produto. A plataforma audita o catálogo, encontra erros de compliance, atributo, texto e imagem, corrige e distribui os dados, no formato de cada canal, para marketplaces como Mercado Livre e Amazon, site próprio, LLMs e protocolos de agentes como o UCP, com aprendizado contínuo sobre dados reais. Já são mais de 500 mil SKUs analisados. Atende marcas no Brasil e no México, em português, inglês e espanhol.
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