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Seu produto passa por quatro filtros antes de chegar a uma pessoa. Todos leem o mesmo catálogo.

Assistentes de IA, agentes dos marketplaces, agentes pessoais e o assistente do seu próprio site. Nenhum se impressiona com foto bonita ou copy criativa. Todos decidem com o dado do seu catálogo. Ele está pronto para a Black Friday?

Pedro Trevisan8 min de leitura
Seu produto passa por quatro filtros antes de chegar a uma pessoa. Todos leem o mesmo catálogo.

No fim de setembro, a NielsenIQ cruzou uma linha: 51% dos consumidores dos EUA usaram ao menos uma ferramenta de IA para comprar no último mês. É a primeira vez que o número passa da metade [1].

E não é só pesquisa. A Amazon informou que mais de 350 milhões de clientes usaram o Alexa for Shopping, o agente que substituiu o Rufus, nos últimos 12 meses, com interações cinco vezes maiores que há um ano [2]. Ele já compra sozinho quando o produto chega ao preço que o cliente definiu [3]. No Walmart, quem compra com o Sparky gasta 40% mais por pedido do que quem não usa [4].

O Brasil vem logo atrás. Um relatório do BTG Pactual com dados da Similarweb mostra que o Mercado Livre é o site que mais recebe tráfego vindo de IA no ecommerce brasileiro, e que esse tráfego cresceu cerca de 374% em 2025 [5]. O próprio Mercado Livre já testa um assistente de compras com IA [6].

Na minha visão, esses números juntos ainda estão sendo lidos pequenos demais. Não é que apareceu mais um canal. É que, entre o seu produto e a pessoa que vai comprar, entraram filtros novos. Hoje são quatro.

Quatro filtros entre o seu produto e o comprador

  • •Assistentes de IA. ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity. Quando alguém pergunta qual produto comprar, eles montam um card com o que encontram sobre você: título, preço, atributos, avaliações, loja. Se o dado não está lá, o card sai sem ele. Ou sai com o concorrente.
  • •Agentes dos marketplaces. O Alexa for Shopping na Amazon e o assistente em teste no Mercado Livre. É o filtro mais maduro: tem carrinho, histórico, frete e, na Amazon, já compra sem o cliente clicar [3]. Ele lê o que está no anúncio. Só o que está no anúncio.
  • •Agentes pessoais. Assistentes de uso geral que navegam sites, comparam e começam a fechar a compra em nome do consumidor. Em setembro, a Meta lançou nos EUA o Muse, um agente que abre o navegador, preenche formulários e finaliza a compra, e que conversa pelo próprio app ou direto no WhatsApp [12]. A Amazon já faz algo parecido em sites de terceiros com o Buy for Me [3], e o Google lançou o UCP, um protocolo aberto para agentes comprarem em qualquer loja [7]. É a camada menos madura, mas a que mais muda a relação do consumidor com a compra: ele delega a tarefa inteira.
  • •A busca e o assistente do seu próprio site. Busca com LLM, recomendação, atendimento que vende. Lê o seu catálogo direto da fonte, com todos os defeitos que ele tiver.
FiltroOnde decideO que lê do seu catálogo
Assistentes de IANa resposta, antes de qualquer lojaFeed, página do produto, ficha técnica, avaliações, coerência entre fontes
Agentes dos marketplacesDentro do Mercado Livre e da AmazonAtributos do anúncio, título, imagens, perguntas, regras do canal
Agentes pessoaisNo site onde a compra fechaPágina legível por máquina, preço, estoque, condições de compra
Site próprioNa sua lojaAtributos ricos para busca semântica e recomendação

Quatro filtros, com donos e níveis de maturidade diferentes. O que eles têm em comum é o que importa.

Nenhum deles se impressiona com foto bonita

No primeiro texto que escrevi aqui no blog, defendi que o agentic commerce muda a lógica de elegibilidade do ecommerce [8]. Quando uma pessoa entra no seu anúncio, você ainda pode persuadir. Quando um agente avalia o seu produto, você primeiro precisa ser compreendido.

Os quatro filtros funcionam assim. Eles leem atributo, ficha técnica, título, imagem e coerência entre canais. Um campo vazio já é motivo para pular. Uma medida que diz uma coisa na Amazon e outra no seu site é motivo para desconfiar.

O que convence uma pessoaO que um agente lê
Foto bonitaImagem coerente com a ficha técnica
Copy criativaAtributos preenchidos e padronizados
Título chamativoTítulo que responde ao que o comprador perguntou
Página bem montadaO mesmo dado em todos os canais
Promoção em destaquePreço, estoque e condição legíveis por máquina

Pense no que acontece quando a ficha técnica do anúncio diz bivolt e o site da marca diz 127V. O agente tem dois caminhos. Pode desconfiar e recomendar o concorrente. Ou pode recomendar e entregar ao cliente uma informação diferente da prometida. No primeiro caso, você some da resposta. No segundo, ganha uma devolução.

Nos dois casos, o problema não é de mídia. Não é de ranking. É de consistência.

É exatamente o que vemos na GLOBALD. Nos mais de 500 mil SKUs que o nosso agente de compliance já analisou, os erros que mais aparecem não são de persuasão. São de consistência: medida que diverge entre imagem e texto, cor que não bate, nome de produto que muda de um lugar para outro, erro de idioma, violação de regra do canal.

Nenhum desses problemas tira a sua marca da conversa. Todos eles podem tirar o seu produto da compra.

O filtro mais forte está dentro do marketplace

Tem uma leitura comum de que a IA vai tirar a busca do marketplace. Eu acho que não é bem isso.

Eu entro no Mercado Livre para pesquisar produto. Não no Google, não no ChatGPT. Nos Estados Unidos, 57% dos consumidores começam a busca por produto na Amazon, contra 42% em buscadores [9]. O tráfego de IA que chega ao Mercado Livre cresce rápido, mas ainda é uma fração pequena das cerca de 240 milhões de visitas que o site recebe por mês [10]. O próprio BTG avalia que, no curto prazo, a IA soma para os marketplaces, porque manda para eles compradores com intenção alta [5].

O que muda não é onde o cliente pesquisa. É o que responde à pesquisa. Em vez de uma página de resultados ordenada por ranking, um agente que lê o anúncio, compara atributos e escolhe. A Amazon já faz isso com 350 milhões de clientes. O Mercado Livre está testando, e na MELI Experience, em setembro, o COO Daniel Rabinovich falou de agentes assumindo as compras rotineiras do consumidor [11].

Para quem vende, isso significa que o produto passa a ser filtrado duas vezes. Pelo agente de fora, que decide se você entra na resposta. E pelo agente de dentro, que decide entre os anúncios que sobraram. Os dois leem a mesma coisa.

A parte boa: a base é a mesma para os quatro

O que os quatro filtros exigem na base é igual: atributos completos, corretos e coerentes entre si. Esse trabalho se faz uma vez, na fonte.

A saída, não. Cada filtro lê o produto no seu próprio formato. A Amazon tem schema de atributos e regras de título próprios. O Mercado Livre tem a ficha técnica de cada categoria, com campos e nomes diferentes. Os assistentes de IA leem feed e dados estruturados na página. O UCP tem o seu padrão. O seu site tem o schema dele. O mesmo produto precisa ser traduzido para cada um.

A diferença entre ter e não ter a base está no que acontece nessa tradução. Sem a base, cada canal vira uma reescrita, e cada reescrita carrega um erro diferente. É assim que a voltagem muda entre a Amazon e o site. Com a base, a tradução vira mapeamento: um atributo corrigido na origem sai certo no card do ChatGPT, no anúncio do Mercado Livre, na compra do agente pessoal e na busca do seu site.

Isso não quer dizer que seja pouco trabalho. Arrumar algumas dezenas de produtos é simples. Manter milhares de SKUs consistentes, em mais de um idioma, traduzidos para canais com regras diferentes e atualizados toda semana, não é. É por isso que essa camada raramente se resolve com planilha e boa vontade. Ela precisa virar infraestrutura: uma fonte de verdade e várias saídas, cada uma no formato do canal.

O catálogo, que por muito tempo foi tratado como backoffice, virou a interface entre o seu produto e os agentes que decidem por ele.

Por onde começar antes da Black Friday 2026

Faltam menos de oito semanas para a Black Friday. Dá tempo de fazer o essencial:

  • •Pergunte aos agentes antes do seu cliente. ChatGPT, Gemini e, se você vende na Amazon dos EUA, o Alexa for Shopping. Faça as perguntas que um comprador da sua categoria faria, com necessidade e faixa de preço reais. Veja se o seu produto entra, com quais informações e para qual link.
  • •Compare o que o agente diz com o que o anúncio diz. Cada divergência de medida, voltagem, cor ou compatibilidade é uma venda perdida ou uma devolução esperando para acontecer.
  • •Tenha uma fonte de verdade fora do marketplace. O anúncio não pode ser o único lugar onde o seu produto está bem descrito. O mesmo dado precisa alimentar Mercado Livre, Amazon, o site próprio e os feeds que as IAs leem.
  • •Escreva atributos que respondem perguntas. O agente decide com o que o comprador perguntou. Se ele quer saber a autonomia da bateria e o seu anúncio não informa, você não entra na conversa.
  • •Comece pelo que mais fatura. Não dá para arrumar tudo até novembro. Dá para arrumar o que mais pesa.

O catálogo que os agentes vão ler

Durante anos, a pergunta de quem vende foi: minha página converte bem?

Ela continua válida. Mas, com quatro agentes no meio do caminho, a primeira pergunta passou a ser outra:

Quando um agente, dentro ou fora do marketplace, tentar vender o meu produto, ele vai encontrar o que precisa para escolher ele?

Se a resposta for não, nenhum investimento em mídia ou em ranking resolve. O agente já escolheu outro.

Na GLOBALD, é exatamente esse tipo de problema que nos interessa resolver: fazer o produto ser compreendido por todos os agentes que decidem por ele. A gente audita o catálogo, encontra os erros de compliance, atributo, texto e imagem que tiram o produto das respostas, corrige e distribui os dados, no formato de cada canal, para marketplaces, site próprio, LLMs e protocolos de agentes como o UCP.

A Black Friday cai em 27 de novembro. O catálogo que os agentes vão ler naquele dia é o que estiver no ar nas próximas semanas.

Referências

  1. Majority of U.S. Consumers Now Use AI to Shop, NIQ Finds, NielsenIQ (24/09/2026)
  2. Q2 earnings: CEO Andy Jassy on Amazon Stores growth, delivery speed, and AI shopping, About Amazon (31/07/2026)
  3. Amazon's next-gen AI assistant for shopping, About Amazon
  4. Walmart says its AI assistant, Sparky, is leading to customers spending 40% more, Yahoo Finance
  5. IA redefine compras no e-commerce, Guia da Farmácia, sobre o relatório do BTG Pactual de 22/09/2026
  6. Agentes de IA ganham espaço e acirram disputa pelo controle das compras online, Ipiracity, sobre o relatório do BTG Pactual de 22/09/2026
  7. New tech and tools for retailers to succeed in an agentic shopping era, Google (lançamento do UCP, 11/01/2026)
  8. O ecommerce não está só ganhando um novo canal. Está ganhando um novo comprador., Pedro Trevisan, GLOBALD
  9. Most US online shoppers start product searches on Amazon, eMarketer, com dados da Jungle Scout (2023)
  10. Visitas em e-commerces caem 18% nos últimos 12 meses, Times Brasil, com dados da Similarweb (05/08/2025)
  11. Mercado Libre ya prueba agentes de IA que compran por vos, iProUP (10/09/2026)
  12. Introducing Muse: The World's First Personal AI Agent Built for Everyone, Meta (08/09/2026)

Perguntas Frequentes

Perguntas comuns sobre agentic commerce, otimização de dados de produtos e estruturação de catálogos para agentes de IA.

O que é agentic commerce?

Agentic commerce é o modelo de comércio digital em que agentes de IA autônomos pesquisam, comparam e, cada vez mais, compram produtos em nome dos consumidores. Em vez de navegar por páginas e resultados de busca, o agente lê dados de produto, como atributos, preço, disponibilidade e avaliações, e decide com base neles.

Quais são os quatro filtros pelos quais um produto passa antes de chegar ao consumidor?

São quatro tipos de agente: (1) assistentes de IA, como ChatGPT, Gemini e Claude, que montam o card do produto com o que encontram sobre a marca; (2) agentes dos marketplaces, como o Alexa for Shopping na Amazon e o assistente em teste no Mercado Livre; (3) agentes pessoais, como o Muse da Meta, que navegam, comparam e começam a comprar em nome do consumidor; e (4) a busca e o assistente do próprio site da marca. Todos decidem a partir do dado do catálogo, não de foto ou copy.

Quantos consumidores já usam IA para fazer compras?

Nos Estados Unidos, 51% dos consumidores usaram ao menos uma ferramenta de IA para apoiar compras no último mês, segundo a NielsenIQ (setembro de 2026). É a primeira vez que o índice passa da metade. A Amazon reporta mais de 350 milhões de clientes usando o Alexa for Shopping em 12 meses, e o Walmart diz que quem compra com o Sparky gasta 40% mais por pedido.

O que é o Alexa for Shopping da Amazon?

Alexa for Shopping é o assistente de compras com IA da Amazon, nome que o Rufus recebeu em maio de 2026. Ele busca produtos por conversa, compara opções, mostra histórico de preço e compra automaticamente quando um produto atinge o preço-alvo definido pelo cliente. Segundo a Amazon, mais de 350 milhões de clientes o usaram nos 12 meses até julho de 2026, com interações mais de cinco vezes maiores em um ano.

O Mercado Livre vai ter um agente de compras com IA?

O Mercado Livre sinalizou que sim. Segundo o BTG Pactual, a empresa já testa um assistente de compras com IA com parte dos usuários. Na MELI Experience 2026, em setembro, o COO Daniel Rabinovich falou de agentes de IA assumindo as compras rotineiras do consumidor. Para quem vende no Mercado Livre, isso significa que o anúncio passa a ser lido por um agente, não só ranqueado por uma busca.

Qual site recebe mais tráfego vindo de IA no ecommerce brasileiro?

O Mercado Livre, segundo relatório do BTG Pactual com dados da Similarweb, à frente de OLX, Amazon Brasil, Shopee e Magazine Luiza. As referências de IA para o ecommerce brasileiro cresceram cerca de 374% em 2025, e esse tráfego chega com intenção de compra mais alta que o convencional. Ainda é uma fração pequena das cerca de 240 milhões de visitas mensais do site, mas cresce rápido.

A IA vai tirar a busca de produtos do marketplace?

Não no curto prazo. Nos Estados Unidos, 57% dos consumidores começam a busca por produto na Amazon, e no Brasil o Mercado Livre cumpre esse papel. O BTG Pactual avalia que a IA hoje soma para os marketplaces, porque envia a eles compradores com intenção alta. O que muda é o que responde à busca: em vez de uma página de resultados por ranking, um agente que lê o anúncio, compara atributos e escolhe.

Por que foto bonita e copy criativa não bastam para agentes de IA?

Porque agentes não se impressionam com persuasão visual. Eles leem atributo, ficha técnica, título, imagem e coerência entre canais. Um campo vazio ou uma medida que diverge entre Amazon e site próprio dá ao agente um motivo para recomendar o concorrente ou gera devolução. Nos mais de 500 mil SKUs analisados pela GLOBALD, os erros mais comuns são de consistência: medidas e cores divergentes entre imagem e texto, nomes inconsistentes, erros de idioma e violações de regras de canal.

O trabalho de estruturar o catálogo é o mesmo para todos os canais?

A base, sim. Atributos completos, corretos e coerentes servem aos quatro filtros: assistentes de IA, agentes dos marketplaces, agentes pessoais e o site próprio. A saída, não. Cada canal lê o produto no próprio formato, com schema, campos e regras diferentes: atributos e títulos da Amazon, ficha técnica por categoria do Mercado Livre, feeds e dados estruturados para os assistentes de IA, o padrão do UCP, o schema do site. Com a base feita, essa adaptação vira um mapeamento a partir de uma fonte única. Sem a base, vira uma reescrita por canal, e cada reescrita carrega um erro diferente.

O que fazer no catálogo antes da Black Friday 2026?

Com a Black Friday em 27 de novembro de 2026, as prioridades são: perguntar aos agentes (ChatGPT, Gemini, Alexa for Shopping) pelos produtos da sua categoria; comparar o que o agente diz com o que o anúncio mostra; manter uma fonte única de dados fora do marketplace; preencher atributos que respondem às perguntas reais dos compradores; e começar pelas categorias de maior faturamento. O catálogo que os agentes vão ler na Black Friday é o que estiver no ar nas semanas anteriores.

Como a GLOBALD ajuda marcas no agentic commerce?

A GLOBALD é uma infraestrutura de dados de catálogo com IA que funciona como sistema de registro e sistema de ação para o produto. A plataforma audita o catálogo, encontra erros de compliance, atributo, texto e imagem, corrige e distribui os dados, no formato de cada canal, para marketplaces como Mercado Livre e Amazon, site próprio, LLMs e protocolos de agentes como o UCP, com aprendizado contínuo sobre dados reais. Já são mais de 500 mil SKUs analisados. Atende marcas no Brasil e no México, em português, inglês e espanhol.

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